Mostrar mensagens com a etiqueta tutoria. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta tutoria. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, setembro 01, 2009

METODOLOGIAS IC

Aula 4 Novembro

Avaliação de projectos sociais de intervenção
Para uma utilização integrada das metodologias de avaliação

Definições de avaliação:
1. “Avaliar é comparar num momento determinado o que se conseguiu através da acção, com o que se devia ter alcançado de acordo com a planificação prévia” (Vergara, 1993: 14).
2. “Avaliação é um julgamento sistemático do valor ou do mérito de um objecto” (Stufflebeam e Shinkfield, 1995: 19).

Objectivo central da avaliação:
Medir os efeitos de um programa ou projecto por comparação com as metas que se propôs alcançar, em vista a contribuir para a tomada de decisões sobre o projecto e para melhorar a programação futura (Weiss, 1975).

Funções da avaliação:
i) Diagnóstico
ii) Preditiva
iii) Orientadora
iv) De controlo

O que vamos avaliar?
i) Avaliação das necessidades
ii) Avaliação do desenho (diagnóstico)
iii) Avaliação do desempenho
iv) Avaliação por objectivos
v) Avaliação das competências
vi) Avaliação da transferência (pós-formativa)

Quem faz a avaliação?
i) Avaliação externa
ii) Avaliação interna
iii) Avaliação mista

Segundo os momentos:
i) Avaliação do diagnóstico
ii) Avaliação processual
iii) Avaliação final
iv) Avaliação pós-acção

Avaliação do diagnóstico:
Implica um estudo do contexto onde se desenrola a formação, no sentido de detectar in loco os indicadores que põem de relevo situações problemáticas ou passíveis de melhoria

Avaliação do processo:
i) Utilizar técnicas de investigação para recolher o máximo de informação sobre o processo em curso
ii) Utilizar instrumentos regulares de avaliação das acções
iii) Emitir juízos de valor sobre todo o processo

Avaliação final:
Implica uma síntese que combine todos os elementos obtidos através das avaliações anteriores. Analisando os resultados chagamos a uma apreciação global que nos diz o que foi conseguido com a formação em causa.

Avaliação pós-acção:
i) Mudança e transferência da mudança à prática
ii) Organizar sistema de observação / inquérito que nos permitir saber em que medidas as mudanças conseguidas pelo projecto foram ou não incorporadas na prática

Instrumentos de avaliação:
i) Análise estatística
ii) Análise de documentos
iii) Inquérito por questionário
iv) Inquérito por entrevista
v) Observação das actividades / tarefas/ etc.
vi) Avaliação por parte da equipa executora
vii) Avaliação por parte dos participantes ou beneficiários, directos ou indirectos, do projecto
viii) Follow-up

Modelos tradicionais de avaliação:
i) Avaliação orientada para os objectivos (geralmente mais quantitativo)
ii) Avaliação para a tomada de decisões:
- Três propósitos: servir de guia para a tomada de decisões; obtenção de dados para a responsabilização; compreender os fenómenos para aperfeiçoar o projecto.
- Estipula 4 passos a seguir: Avaliação do contexto com vista a estabelecer de forma segura objectivos específicos para planificar; Avaliação de input para saber como começar a acção, que estratégias empregar, etc.; Avaliação do processo; Avaliação do produto
iii) Modelo de discrepância: centra-se na comparação entre a execução e a realização prática. Passos: desenho, implantação, processo, produto e comparação. O último passo centra-se nas análises de custo / benefício.

Modelos alternativos:
A. Avaliação respondente (Stake (1975), Guba e Lincoln (1982):
i) Centra-se no processo
ii) Também se chama reactivo, opondo-se à avaliação como algo pré-estabelecido
iii) Pretende obter um cenário completo e holístico
iv) Geralmente é levado a cabo pelos agentes da acção
v) Principais passos: Rever as actividades; Descobrir o propósito do projecto; Identificar as categorias para determinar o método de avaliação; Seleccionar os observadores e os instrumentos; Realizar estudos de casos para entender os dados em profundidade; Redigir os relatórios e as recomendações correspondentes.

B. Avaliação democrática:
i)Dirigido à mudança de todos os participantes no projecto
ii)Todos participam na avaliação, na interpretação dos dados, nas decisões sobre o desenho da avaliação, etc.
iii)Implica uma participação responsável dos avaliadores e dos avaliados, que formam uma equipa
iv)Técnicas mais utilizadas: observação, entrevistas, debates, questionários, etc.

***

Aula 29 Outubro
A Integração dos Educadores Sociais em Contexto Comunitário

Formas de melhorar a integração – nível comunitário
i)Adoptar uma postura humilde, ouvinte, pouco interventiva
ii)Realizar um estudo prévio estatístico / documental e histórico sobre o território
iii) Identificar os principais actores sociais e as principais instituições
iv)Vagabundear
v) Frequentar os espaços públicos onde se criam as normas / valores comunitários (produzindo registos, como por ex. diário de campo)
vi) Insistir sempre nas vias informais de relação entre as pessoas
vii)Não julgar nem fazer juízos de moral até obter uma compreensão mínima do território, das pessoas, dos modos de básicos de funcionamento das relações entre elas, etc.

Formas de melhorar a integração – nível institucional
i)Adoptar uma postura humilde, ouvinte, pouco interventiva
ii)Realizar um estudo prévio sobre a instituição, e sobre os seus principais parceiros
iii)Conhecer a cultura particular da organização / instituição / entidade
iv)Identificar os actores sociais mais influentes na organização
v)Conhecer bem o organograma da instituição e os seus canais formais de funcionamento
vi) Gradualmente, conhecer as formas informais de funcionamento que podem não coincidir com as formais, aprendendo a navegar da forma mais eficiente, sem prejudicar nenhuma delas.
vii)Não julgar nem fazer juízos de moral até obter uma compreensão mínima do território, das pessoas, dos modos básicos de funcionamento das relações entre elas, etc.

Redes Sociais: a sua utilidade para os Educadores
A perspectiva centrada nas redes sociais inclui uma série de pressupostos (Wasserman e Faust, 1994)[1]:
i)Os actores sociais são vistos nas suas relações de inter-dependência e não como unidades autónomas.
ii)As suas relações implicam canais para a transferência ou fluxo de recursos diversos, como por exemplo informação, dinheiro, amizade, etc.
iii)O ambiente estruturante da rede pode conceder oportunidades ou, pelo contrário, constrangimentos à acção.
iv)A investigação centrada sobre redes sociais conceptualiza a estrutura como padrões de relação entre os mais distintos actores sociais.
[1] Wasserman, S., & Faust, K. (1994). Social Network Analysis: Methods and Applications. New York: Cambridge University Press.

O apoio social que os indivíduos de uma rede podem receber e ceder é função dos seguintes factores (Walker et al. (1994)[1]:
i)Dimensão: Quanto maior a rede, maior o nº de membros que cedem a outros ajuda emocional. Bens e serviços, etc. Quanto maior a rede, maior a percentagem de indivíduos que recebem apoio social.
ii)Densidade: definida pela relação entre as ligações construídas e as potencialmente possíveis. A investigação não é conclusiva quanto à densidade da rede. Algumas redes menos densas podem mostrar-se mais satisfatórias, dependendo do tipo de links existentes.
iii)Centralidade e Status, referindo-se à proeminência relativa de membros individuais dentro das redes. Uma certa pessoa é central se estabelece muitas relações e o seu Status pode variar.
[1] Walker, M. E., Wasserman, S., & Wellman, B. (1994). Statistical Models for Social Support Networks. In Stanley Wasserman & Joseph Galaskiewicz (eds.), Advances in Social Network Analysis. Research in the Social and Behavorial Sciences (pp. 53-78). Thousand Oaks: Sage.

Para a definição das configurações particulares das redes, será assim preciso definir os seguintes pontos (Fragoso e Lucio-Villegas, 2004)[1]:
i)A sua dimensão total
ii)As sub-redes em que a rede total se fragmenta e o estado de fragmentação resultante.
iii)Os fluxos de informação, dinheiro, serviços, etc., não só nas sub-redes, como também na rede total. Há zonas das redes mais sensibilizadas? Há zonas inacessíveis?
iv)O efeito de competição no espaço social no caso de redes de pequena dimensão.
v)Os efeitos de todos estes factores sobre os MODOS DE COOPERAÇÃO.
[1] Fragoso, A., & Lucio-Villegas, E. (2004). Social networks research in southern local development: An analysis to overcome theoretical and practice constrains. In Between Old and New Worlds of Adult Learning, 4th ESREA European Research Conference (pp. 41-57). Wroclaw: University of Wroclaw / University of Lower Silesia.

Vantagens que o bom conhecimento das redes sociais pode trazer:
i)Aprofunda o conhecimento dos actores sociais e das várias instituições do território.
ii)Melhora-se o conhecimento sobre os modos típicos de relação entre as pessoas, entre as sub-redes, entre os mecanismos típicos de fluxos de informação, serviços ou bens.
iii)O educador pode exercer uma acção mediadora mais eficaz, se achar por bem realizá-la ou se não conseguir evitá-la
iv)O educador ganha uma clara percepção dos possíveis pontos de bloqueio da acção na rede que tem ao dispor
v)Permite que os mecanismos de cooperação sejam mais adequados
vi)Evitam-se, se possível, bloqueios por efeitos de competição no espaço social
***

Aula de 22/10/09

CONSTRUÇÃO DE PROJECTOS SOCIAIS DE INTERVENÇÃO


O que implica um projecto social de intervenção?
Uma reflexão rigorosa sobre o problema social concreto que pretendemos melhorar.
Tomar consciência das múltiplas necessidades e, uma vez estudada a realidade social, escolher um problema concreto bem como uma previsível solução.
Elaborar um desenho o mais completo possível, sistemático e reflexivo.
Aplicar à prática com a finalidade de a transformar.
Abertura e flexibilidade na aplicação.
Originalidade e criatividade na elaboração.
Partir sempre da prática e da óptica de quem vive o problema, como o vive e como vislumbra as possíveis soluções.

Programar a acção através de um projecto
O que se quer fazer? = Natureza do projecto
Porque se quer fazer? = Origem e fundamentos
Para que se quer fazer? = Objectivos
Quanto se quer fazer? = Metas
Onde se quer fazer? = Localização física
Como se quer fazer? = Actividades /técnicas/métodos
Quem vai fazer? = Recursos humanos
Com que se quer fazer? = Recursos materiais / financeiros

Natureza do Projecto (Explicitar)
A ideia central do projecto
A origem da ideia ou a necessidade que a origina (inexistência de estruturas, de serviços, aplicação de planos específicos, etc…)

Fundamentação (Explicitar)
Os antecedentes para chegar ao diagnóstico
Dados estatísticos / qualitativos
Elementos que justifiquem a estratégia
Previsões sobre a evolução da situação problemática
Justificação filosófica e técnica

Objectivos (Explicitar)
Objectivos gerais (claros, realistas, pertinentes)
Dentro de cada um deles, os objectivos específicos – de forma a que possam ser avaliados.

Metas
Uma meta não passa de um objectivo quantificado e qualificado. Formular uma meta é assinalar quanto queremos alcançar de cada objectivo e a qualidade do que queremos alcançar.
As metas devem ser realistas levando em conta os meios possuídos.

Metodologia
Descrever o processo, se possível por etapas.
Enumerar e explicar os passos técnicos ou outros.
Definir as tarefas, normas e procedimentos para a execução.
Elaborar um calendário integrado.

Recursos
Humanos: descrever a quantidade e qualidade das pessoas necessárias para a execução das tarefas, atribuindo responsabilidades e não esquecendo a avaliação.
Materiais: Instalações necessárias, materiais, equipamentos, instrumentos, etc.
Financeiros: Orçamento e financiamento.

Fases de desenho de um projecto social de intervenção:
Diagnóstico:
-detectar necessidades /prioridades
-fundamentar
-delimitar problema
-localizar o projecto
-rever a bibliografia
-prever a população
-prever os recursos
Planificação:
-objectivos
-metodologia
-temporalização
-recursos
Execução:
-desenvolvimento do projecto
-seguimento do projecto
-controle do projecto
Avaliação:
-avaliação do diagnóstico
-avaliação do processo
-avaliação final
Relatório Final
***












ESCOLA SUPERIOR DE EDUCAÇÃO E COMUNICAÇÃO

CURSO DE EDUCAÇÃO SOCIAL – 1.º CICLO (diurno)

FICHA

Unidade Curricular: Metodologias de Intervenção Comunitária

Área Científica: Metodologias Científicas

Ano Lectivo: 2009-2010 / Ano: / Semestre:

Créditos ECTS: 6 / Distribuída: com exame final

Tempo Horas Contacto: 24T; 20TP; 4OT / Tempo Trabalho Total (horas): 168

Professor responsável: Helder Faustino Raimundo (gabinete 88)

Resumo descritivo

Esta unidade pretende abordar a diversidade de técnicas e instrumentos que se enquadram num conjunto que podemos designar de metodologias de intervenção de enfoque comunitário. Abordaremos os antecedentes sociológicos desta tipologia de intervenção. E aprofundaremos os dois modos mais conhecidos de investigação interventiva: a investigação-acção e a investigação participativa. Veremos, ainda, os métodos mais consentâneos de intervenção nas comunidades, através da metodologia de projecto.

Competências a desenvolver

Instrumentais:

Conhecer as diversas metodologias de intervenção comunitária

Saber adequar a acção a cada contexto social

Dominar a construção de projectos de intervenção social

Ter uma actuação prática de estímulo à participação e à mudança

Interpessoais:

Ter uma acção agregadora e de interacção grupal

Desenvolver criatividade, autonomia e participação dos indivíduos

Conhecer, respeitar e estimular as redes sociais locais

Sistémicas:

Desenvolver a participação e a acção local das comunidades

Estimular as redes de parceria e de organização comunitária

Aplicar uma visão global nos problemas locais

Conteúdos Programáticos

a) Metodologias de intervenção em contexto comunitário:

A sociologia de intervenção; o papel do diagnóstico no contexto da intervenção; a construção de projectos sociais; função do educador; dos métodos clássicos à metodologia participada; o auto-diagnóstico comunitário e institucional.

b) As metodologias de investigação-acção (IA):

Os precursores e a história da IA; as várias correntes a partir dos anos 70 do século passado.

c) A investigação participativa (IP):

Origem e evolução da IP; dimensões e características; a metodologia da IP; exemplos de IP.

Estratégias / Métodos de Ensino-Aprendizagem

Exposição e debate; leitura e discussão de textos; trabalho em grupo e de auto-formação individual.

Resultados esperados de aprendizagem

Conhecer a origem e evolução histórica das metodologias de intervenção social

Dominar a técnica de construção de projectos sociais

Saber conduzir um diagnóstico social clássico e um auto-diagnóstico participativo

Ter uma acção deontológica respeitadora dos indivíduos, grupos e redes sociais locais

Conhecer a história da IA e o seu papel no desenvolvimento das metodologias participativas

Conhecer os principais aspectos da investigação participativa

Saber conduzir uma intervenção de enfoque participativo

Ter uma visão sistémica e global sobre a realidade local de cada contexto comunitário

Saber desenvolver uma acção mobilizadora das energias, redes e autonomias de cada local

Métodos de avaliação

a) Redacção de um trabalho individual sobre um ou mais pontos da alínea a) dos conteúdos programáticos, com o máximo de 1000 palavras, a entregar em papel na última aula antes das férias do Natal (50%);

b) Trabalho colectivo (3 ou 4 pessoas) sobre as alíneas b) ou c) dos conteúdos programáticos, com o máximo de 3000 palavras, a entregar em papel na última semana de aulas (50%).

Nota: os trabalhos referidos devem respeitar as Normas dos Trabalhos Académicos do curso.

Bibliografia básica

Carmo, H. (1999). Desenvolvimento Comunitário. Lisboa: Universidade Aberta.

Claves (1991). De Quién es la Iniciativa en el Desarrollo Sociocomunitario. Madrid: Editorial Popular.

Cordioli, S. (2001). Enfoque Participativo: um processo de mudança. Conceitos, Instrumentos e Aplicação Prática. Porto Alegre: Génesis.

Delorme, C. (1985). De la Animación Pedagógica a la Investigación-Acción. Madrid: Narcea.

Gabarrón, L. R. & Hernández Landa, L. (1994). Investigación Participativa. Madrid: Centro de Investigaciones Sociológicas.

Guerra, I. C. (2002). Fundamentos e Processos de uma Sociologia de Acção. O planeamento em Ciências Sociais. Lisboa: Principia.

Lucio-Villegas, E. (1993). La Investigación Participativa en Educación de Personas Adultas. La construcción de un saber colectivo. Sevilla: SPS-CAPP-KRONOS.

Pérez Serrano, G. (2008). Elaboração de Projectos Sociais. Casos práticos. Porto: Porto Editora.

Pérez Serrano, G. (2000). Modelos de Investigación Cualitativa en Educación Social y Animación Sociocultural. Aplicaciones prácticas. Madrid: Narcea.

Prieto, D. (1988). El Autodiagnóstico Comunitario e Institucional. Buenos Aires: Humanitas.

Quintana Cabanas, J. M. (1986). Investigación Participativa. Educación de Adultos. Madrid: Narcea.

Silva, M. I. (1996). Práticas Educativas e Construção de Saberes. Metodologias de investigação-acção. Lisboa: Instituto de Inovação Educacional.

Observações / Sugestões

Aconselha-se a leitura atenta do Regulamento Geral de Avaliação da Universidade do Algarve

ANIMAÇÃO COMUNITÁRIA

Aula 25 Novembro

PERFIL DO ANIMADOR SÓCIO-CULTURAL

A partir da opinião de vários autores, nas quais encontra pontos comuns, Badesa (1995, p. 81) constrói uma resposta à pergunta “Quem é o Animador Sóciocultural?”:


«O animador é uma pessoa com sensibilidade e capacitado para ser agente de desenvolvimento, que utiliza a relação pessoal e os contactos humanos implicando-se para uma melhor intervenção social»

Referindo-se à tipologia de animadores formados em vários países da Europa, a mesma autora defende que para se poder chamar alguém de animador deve considerar-se ser:

«Aquela pessoa que percebe ser necessária a criação de condições mais favoráveis para alcançar a realização humana. Seu papel de animador é encaminhado no sentido de conseguir que os membros do grupo conheçam, opinem e se esforcem por chegar a ser pessoas comunitárias»

O animador é uma pessoa e, como tal, deve conter em si determinadas qualidades humanas essenciais ao seu papel social no desenvolvimento das pessoas e das comunidades. Assim, o animador deve integrar e desenvolver um conjunto de capacidades, competências, atitudes e valores decisivos para a sua função profissional. Badesa destaca os valores, dado que

A pessoa é corpo, razão e afecto, singularidade, abertura e transcendência, e deseja para sua felicidade os valores corporais, intelectuais, afectivos, estéticos, individuais, morais, sociais, ecológicos, instrumentais e religiosos. (p. 157)

Principais áreas de conduta atitudinal dos animadores:

Dimensão Cognitiva Pessoal
Dimensão Afectiva
Dimensão Social e de Relação
Dimensão Moral
Dimensão Física

Síntese de Badesa

«O animador actual há-de saber estar com o grupo, como um deles, criando relações de amizade, confiança e diálogo. Da sua parte há-de saber distribuir as tarefas e responsabilidades que fazem crescer os componentes do grupo. Tem sentido social e concebe seu papel como ‘animador’ ou ‘facilitador’ criando um ambiente distendido e favorável ao trabalho. Esforça-se por conhecer as pessoas e trabalha como um dos elementos do grupo. Exerce um tipo de liderança distributiva, na qual as decisões não se tomam senão por consenso». (p. 183)

***

Aula 11 Novembro


Animação e Desenvolvimento
- Papel estruturante da animação na criação da “cultura do desenvolvimento” (Melo, 1991)
- O animador cultural como agente de desenvolvimento local
- Papel da tríade nas estratégias de desenvolvimento local (Azevedo, 1993):
i) Animadores locais
ii) Redes de cooperação
iii) Parcerias locais
- A animação e os animadores como estrategas desta tríade

Animação e Educação Informal
- Educação como um processo em 'continuum' com diversos níveis de formalização educativa:
i) Nível formal: protótipo escolar;
ii) Nível não formal: construção de situações educativas em contextos específicos – Educação de adultos;
iii) Nível informal: todas as situações potencialmente educativas, mesmo que não conscientes ou não intencionadas.
- A ASC insere-se preferencialmente no nível informal, privilegiando mais os efeitos do que as intenções. Promove modalidades de auto-formação, eco-formação e heteroformação entre pares

Animação Sócio-cultural
i) Corresponde a um campo de práticas sociais e educativas, dotado de especificidade e de autonomia
ii) Corresponde a uma dimensão presente em todos os níveis de formalização da acção educativa, incluindo também as situações escolares
iii) Assenta que nem uma luva no nível informal da educação, no qual privilegia mais os resultados das aprendizagens do que as intenções programáticas da educação
Conclusão: Por isso, prioridade estratégica na educação veiculada pelos processos não-formais e informais.
***


Aula 4 Novembro


ASC e Contextos Educativos (Canário, 1999)

- A ASC é um campo fundamental da acção educativa:

i) Públicos muito diversos

ii) Áreas de actividade social muito diferentes

iii) Instituições especializadas

iv) Agentes profissionalizados

- A ASC tem impacto decisivo no domínio da educação de adultos:

i) Distanciamento crítico relativamente ao modelo escolar

ii) Perspectiva de processo largo de educação permanente


ASC como conjunto de práticas situadas nas margens da realidade escolar, muitas vezes eivada de basismo, activismo e voluntarismo (Besnard, 1985).


ASC como (Marzo & Figueras, 1990):

i) Modelo sólido e acabado de intervenção social;

ii) Conjunto de tecnologias de intervenção transversal, usadas por diferentes profissionais.

ASC como respostas educativas a necessidades sociais, individuais/colectivas, às quais as instituições educativas tradicionais não respondem adequadamente


A ASC no quadro das mutações sociais (Besnard, 1985)

i) Crescimento económico/urbanização, que obriga a fortes aparelhos educativos e culturais

ii) Massificação, a partir da industrialização, crescimento demográfico e urbanização, que originam anomias

iii) Envelhecimento demográfico e emergência de grupos sociais: mulheres, jovens, minorias, etc.

iv) Normalização social a contrariar

v) Aumento do tempo livre e resposta à civilização do lazer


Funções sociais da ASC (Besnard, 1985)

i) Adaptação e integração: socialização dos indivíduos

ii) Recreação: nem desorganização nem preguiça, mesmo nos tempos livres

iii) Educação paralela e complementar

iv) Ortopedia: reequilíbrio social

v) Construção de pensamento crítico

Conclusão: A ASC não responde apenas à revolução dos tempos livres, mas aposta nas problemáticas da transformação social na sociedade pós-industrial

**



Aula de 28 Outubro
OS CAMPOS DA ANIMAÇÃO

PERSPECTIVA TRIDIMENSIONAL DA ASC (Lopes, 2008)
Âmbitos:
i)Dimensão etária: infantil; juvenil; adultos; e terceira idade
ii) Espaço de intervenção: animação urbana; animação rural
iii)Áreas temáticas: educação; teatro; tempos livres; saúde; ambiente; turismo...

LISTA DE ÂMBITOS DA ASC (Lopes, 2008)

i)Animação cultural
ii)Animação teatral
iii)Animação dos tempos livres
iv)Animação sócio-laboral
v)Animação comunitária
vi)Animação rural
vii) Animação turística
viii)Animação terapêutica
ix)Animação termal
x)Animação desportiva (...)

Animação Infantil

*Objectivo central: complemento da escola pela via não formal
*Dimensão de intergeracionalidade
*Definição: conjunto de actividades de carácter lúdico, destinadas a crianças entre 8-13 anos, desenvolvidas independentes ou articuladas com a educação formal
*Princípios: criatividade / componente lúdica / actividade / socialização / liberdade / participação

Animação Juvenil
*Razões: importância do grupo de pares e sentido de pertença
*Quadro de referências: liberdade / sentido de associativismo / participação activa / voluntariado social
*Objectivos globais:
- perspectiva educativa da animação
- fomento de aprendizagens diversas associativas
- desenvolvimento de interacção e interrelação
- concretização triangular: social, cultural, educativa

Animação de Adultos
i)Importância do tempo de trabalho no adulto
ii)Princípios:
- meio de reflexão e de consciencialização
- fomento da acção crítica
- acções de educação não-formal vívidas
- potência do voluntarido e da participação
- iniciativas geradoras da cultura democrática
- promoção do turismo de animação
iii)Linhas de intervenção:
- educação sócio-laboral
- educação para a cidadania activa
- formação para o desenvolvimento pessoal/social
- educação para a saúde
- educação para o tempo livre e de ócio

Animação na 3ª idade

i)Premência da gerontologia educativa / animadores geriátricos
ii)Conceito de ASC na 3ª idade: resposta a uma ausência ou diminuição da sua actividade e das suas relações sociais... que trata de favorecer a emergência de uma vida centrada à volta do indivíduo ou do grupo (Elizasu, 2001)
iii)Ramos especializados:
- animação estimulativa
- animação ao domicílio
- animação institucional
- animação turística

Importância da ASC na 3ª Idade
i)Contextos de sabedoria dos idosos: família; comunidade; intergeracionalidade
ii)Acções directas dos idosos na ASC:
- animadores voluntários
- contadores de histórias
- promotores de voluntariado
- pedagogos da vida
- preparadores da vida
iii)A ASC para a 3ª idade constitui um dos âmbitos mais promissores para o futuro da ASC, cuja estratégia será: não dar mais anos à vida, mas sim dar mais vida aos anos (Ventosa, 2004)

Campos da ASC (Quintana Cabanas, 1992)
i)Grupos Naturais: famílias; jovens; terceira idade...
ii)Colectivos organizados: associações; grupos de pais...
iii)Grupos marginados: desempregados; deficientes; toxicodependentes; reclusos...
iv)Grupos emergentes: ecologistas; consumidores; moradores; sindicatos

Âmbitos dos programas de ASC (Merino Fernandez, 1997)
i)Cultural
ii)Comunitário
iii)Ócio
iv)Formativo-profissional

***


LISTA DE ALGUNS CONCEITOS
DE ANIMAÇÃO SOCIO-CULTURAL / COMUNITÁRIA


Basto & Neves
Encaramos a Animação Comunitária (AC) como uma forma de acção sócio-pedagógica que visa a
transformação social, o desenvolvimento, através da participação. Assim sendo, e enquanto forma de acção, a AC apresenta-se como um conjunto de métodos e técnicas específicos. Nesta perspectiva surge-nos como uma tecnologia social que tem a sua fundamentação nas diferentes Ciências Sociais.

Miguel Badesa

A animação sócio-cultural é um método de intervenção, com acções de prática social, dirigidas e
destinadas a animar, ajudar, dar vida, pôr em relação os indivíduos e a sociedade em geral, com uma adequada tecnologia, e mediante a utilização de instrumentos que potenciem o esforço e a participação social e cultural.

Ander-Egg
Designa um conjunto de acções destinado a gerar processos de participação das pessoas tendentes à dinamização do corpo social. (…) Uma técnica sócio-pedagógica que se propõe uma acção de estímulo, mobilização e organização de indivíduos, grupos e colectivos, tendente a criar uma dinamização do tecido social. (…) A Animação Sócio-cultural é uma tecnologia social que, baseada numa pedagogia participativa, tem por finalidade actuar em diferentes âmbitos da qualidade de vida, promovendo, estimulando e canalizando a participação das pessoas para que alcancem o seu próprio desenvolvimento sócio-cultural.

Lopes
A Animação comunitária é um âmbito da Animação sócio-cultural que assenta a sua estratégia na
promoção e apoio a organizações de base empenhadas no desenvolvimento comunitário, com a
preocupação central de fortalecer o tecido social, mediante a participação individual e colectiva,
processada através de organizações capazes de dar respostas a problemas e necessidades da sociedade.

Besnard
A animação apareceu como um fenómeno não essencial, umas vezes compensador, regulador,
catalizador, reduzindo a obsolescência cultural, renovando aqui os comportamentos, as atitudes,
permitindo a adaptação e a autonomia: a animação é a resposta social que o sistema situa para certas necessidades específicas que a sua evolução apresenta.

Fundação para o Desenvolvimento Cultural
A animação pode definir-se como um estímulo mental, físico e emotivo que, num sector determinado, incita as pessoas a iniciar uma gama de experiências que lhes permite expandir-se e expressar sua personalidade, e desenvolver nelas o sentimento de pertença a uma comunidade sobre a qual podem exercer certa influência.

Weisgerber
A animação sócio-cultural é um elemento técnico que permite ajudar os indivíduos a tomar consciência dos seus problemas e das suas necessidades, e a entrar em comunicação a fim de resolver colectivamente esses problemas.

UNESCO
Um conjunto de práticas sociais que tem como finalidade estimular a iniciativa e a participação das comunidades no processo do seu próprio desenvolvimento, e na dinâmica global da vida sócio-política em que estão integradas.

Imhof
Designa-se por animação toda a acção sobre um grupo, uma colectividade ou um meio, que tende a desenvolver a comunicação e estruturar a vida social, recorrendo a métodos semi-directivos; isto é, um método de integração e de participação.

Valle
A animação sócio-cultural é uma acção tendente a criar o dinamismo social onde este não existe,
favorecendo a acção cultural e comunitária, orientando as suas actividades com vista à mudança social.
Educação Social / Animação Comunitária / Helder Raimundo 2008

***


ESCOLA SUPERIOR DE EDUCAÇÃO E COMUNICAÇÃO

CURSO DE EDUCAÇÃO SOCIAL – 1.º CICLO (diurno)

FICHA

Unidade Curricular: Animação Comunitária

Área Científica: Educação Social

Ano Lectivo: 2009-2010 / Ano: / Semestre:

Créditos ECTS: 4 / Distribuída: com exame final

Tempo Horas Contacto: 16TP; 28 PL; 4OT / Tempo Trabalho Total (horas): 112

Professor responsável: Helder Faustino Raimundo (gabinete 88)

Resumo descritivo

A animação comunitária pode ser definida como uma metodologia de acção sócio-educativa que visa o desenvolvimento pessoal e colectivo de indivíduos, grupos e comunidades, por via de políticas e dinâmicas de participação social. Enquanto instrumento educativo, a animação comunitária apresenta-se como um conjunto estruturado de métodos e técnicas indispensáveis ao trabalho do educador.

Competências a desenvolver

Instrumentais:

Identificar, conhecer e utilizar recursos e redes de apoio

Diagnosticar necessidades, problemas e projectos de animação

Gerir programas, projectos e actividades de animação

Interpessoais:

Facilitar a interacção grupal

Aceitar e valorizar a diversidade

Desenvolver expressão e comunicação interpessoal

Desenvolver autonomia, criatividade e participação

Sistémicas:

Desenvolver capacidades de liderança e de gestão de conflitos

Trabalhar de forma autónoma, articulada e sistemática

Usar estratégias de concertação e de mediação adequadas aos contextos

Conteúdos Programáticos

a) Fundamentos da Animação Comunitária:

Historial e conceitos da animação; diversos campos da animação; a animação comunitária e a educação nos diferentes contextos.

b) Métodos, técnicas e instrumentos da animação comunitária:

Expressão corporal, integração e dinâmica de grupo; jogos pedagógico-educativos; role-play, simulações e dramatização educativa; oficinas de técnicas de teatro do oprimido.

c) O projecto na animação comunitária:

Metodologia de projecto na animação; programas, projectos e actividades de animação comunitária em contextos diversos; perfil e deontologia do animador.

Estratégias / Métodos de Ensino-aprendizagem

Aulas teóricas de exposição, discussão e debate em grupo. Aulas práticas de dinâmicas individuais e grupais, baseadas em técnica de jogos pedagógicos (expressão, role-play, teatro do oprimido, murga, comunicação).

Nota: nas aulas práticas os alunos deverão utilizar roupa e calçado adequado, evitando objectos de adorno pessoal.

Resultados esperados de aprendizagem

Saber mobilizar as diversas concepções do campo da animação

Conhecer e saber aplicar os diversos métodos, técnicas e instrumentos da animação comunitária

Saber usar estratégias de animação adequadas a cada contexto concreto

Conhecer e demonstrar competências no desenvolvimento de projectos de animação

Ter uma acção educativa deontológica enquanto animador

Métodos de avaliação

a) Teste de frequência, com a ponderação de 25%;

b) Trabalho de grupo (3 a 5 pessoas), em duas vertentes: a) planificação de uma sessão de animação (25%) e b) apresentação da sessão (25%), com ponderação de 50%;

c) Avaliação contínua individual com a ponderação de 25%.

Nota: aconselha-se a leitura do Regulamento Geral de Avaliação da Universidade do Algarve.

Bibliografia básica

Ander-Egg, E. (1989). La Animación y los Animadores. Madrid: Narcea.

Besnard, P. (1990). El Animador Sociocultural. Valencia: Grup Dissabte.

Brandes, D. & Phillips, H. (1977). Manual de Jogos Educativos. Lisboa: Moraes Editores.

Lopes, M.S. (2008). Animação Sociocultural em Portugal. Braga: edição de autor.

Merino Fernández, J.V. (1997). Programas de Animación Sociocultural. Tres instrumentos para su diseño y evaluación. Madrid. Narcea.

Quintana Cabanas, J.M. (1992). Fundamentos de Animación Sociocultural. Madrid: Narcea.

Soares, P. (2008). Animação Cidadã para a Acção Solidária. S. Brás: In Loco.

Vários (1995). Animação Comunitária. Porto: Edições Asa.

Fonte Web

http://www.apdasc.com/pt/ (Associação para o Desenvolvimento da Animação Sócio-Cultural)